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História de Paraty

Como todas as velhas cidades, Paraty vive tanto da História como da lenda. Diz a História que por volta de 1630 João Pimenta de Carvalho, proprietário em Angra, vendeu as terras que tinha ao major Carlos da Silva, desgostoso com uma questão de limites, e colocou a família num barco, rumando para o sul, ao 16 de agosto do mesmo ano alcançou uma praia que lhe apareceu boa para recomeçar a vida. Como era dia de São Roque, decidiu erigir uma capela em honra daquele santo.

A lenda acrescenta às origens do povoado os benefícios de um misterioso Roque José da Silva, que teria naufragado ao largo de Paraty ainda menino, salvando-se com uma arca repleta de ouro e pedras. Roque guardou numa gruta da serra e sempre que precisava de dinheiro desaparecia da vila. Tornou-se influente e chegou a organizar frota própria para transporte dos produtos que desciam de São Paulo para o porto de Paraty. Numa das idas à serra da Bocaina foi mordido por um gato raivoso e morreu. A fortuna ficou inteira para uma filha adotiva, Geralda Maria da Silva, que fez grandes doações à Igreja da matriz em construção e lá sepultou o pai, em 1860.

Aos poucos, foram surgindo casas, sobrados, engenhos, igrejas e fortificações, tudo em função do porto. A Vila de Nossa Senhora dos Remédios de Paraty (título obtido a 28 de fevereiro de 1667) transformava-se num importante centro de comércio, passagem obrigatória para quem vinha do Rio em direção às Minas Gerais, além de ser o principal escoadouro das riquezas extraídas das minas do interior. Aliás, quando o ouro passou a ser explorado em larga escala, Paraty já era cidade com mais de 16 mil habitantes, 150 engenhos, 12 usinas e 1.700 casas.

Em seu porto, além de escravos, fumo, carne de porco, café, arroz, feijão, cana-de-açúcar, mandioca, e as famosas aguardentes da região foram comercializados cerca de 01 milhão de quilos de ouro e cerca de 100 quilos de pedras preciosas. Para proteger tanta fortuna, além dos fortes que cercavam Paraty por terra e mar, ergueu-se um enorme portão de ferro, que fechava a entrada da Vila as seis da tarde, ao som de um tiro de canhão.

O devassamento das terras de Paraty, foi motivado pela necessidade da abertura de caminhos, que ligassem as regiões de São Paulo e, principalmente, as das Minas Gerais com o Rio de Janeiro. Do começo do século XVI aos princípios do Século XVII, quando a Serra do Mar era tida como obstáculo intransponível, Paraty desfrutou a regalia de ser considerada ponto obrigatório de passagem e estacionamento dos viajantes, que buscavam o interior de São Paulo, Minas ou que dele viessem, demandando o litoral. Ainda em 1597, Martim Correa de Sá, filho do Governador Salvador de Sá, aproveitou, como melhor até então conhecido, o roteiro misto, marítimo-terrestre, via Paraty para alcançar as “Minas Novas” ou “Minas Gerais”. Embarcando no Rio de Janeiro chegou, por mar, à Paraty acompanhado de 700 portugueses e 2.000 índios, penetrando em São Paulo, rumo a Pindamonhagaba, onde atingiu a vale do rio Paraíba, cujo curso seguiu até chegar à foz do rio Paraibuna, de onde se internou nas terras das “Minas Gerais”. Vê-se, pois, que, em fins o século XVI, já a localidade era bem conhecida, tanto assim, que uma expedição tão vultuosa e cara, era arriscada no itinerário cuja base deveria, forçosamente, ter sido bem estudada. É que desde princípios do século, já muitos tropeiros haviam percorrido pelos caminhos daquela rota, plantando aqui e ali os seus ranchos, marcos iniciais das povoações que mais tarde floresciam.
 
 
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